Arrendar ou comprar habitação em Portugal continua a ser um exercício de resistência financeira. Segundo a mais recente análise do idealista, a taxa de esforço média no quarto trimestre de 2025 atingiu 80% do rendimento para arrendar e 70% para comprar casa com crédito, o que significa que, em muitos casos, o orçamento familiar fica quase integralmente absorvido pelo alojamento.
No mapa nacional, Évora surge do lado das cidades onde arrendar casa é mais exigente, com 52% do rendimento líquido do agregado afetado ao pagamento da renda, valor acima do limiar de 33% habitualmente recomendado. Em contraste, Beja apresenta uma taxa de esforço de 37% e Portalegre de 34%, sendo esta uma das duas únicas cidades, a par da Guarda, com níveis muito próximos do limite considerado sustentável, o que as torna, nas palavras do estudo, “mercados relativamente mais acessíveis para arrendar casa”.

No capítulo da compra, Évora regista uma taxa de esforço de 45% na compra de casa, também acima do patamar recomendado, enquanto Beja desce para 26% e Portalegre para 21%, valores que colocam estes dois distritos no grupo restrito de seis capitais portuguesas onde comprar habitação já se faz com taxas de esforço iguais ou inferiores a 33%.

Esta fotografia estatística traçada pelo idealista confirma a persistência de um mercado nacional exigente, mas evidencia igualmente uma diferenciação interna no Alentejo. Évora, cidade universitária e com forte atratividade turística, aproxima-se do comportamento das áreas urbanas mais pressionadas, tanto no arrendamento como na compra. Beja e Portalegre, por sua vez, surgem como alternativas onde a habitação mantém um perfil comparativamente mais acessível, num quadro em que muitas famílias noutras regiões se veem obrigadas a canalizar mais de metade do salário apenas para assegurar casa.
A metodologia do estudo ajuda a perceber a dimensão real do esforço. No arrendamento, a taxa de esforço corresponde à percentagem anual do rendimento líquido médio do agregado familiar destinada ao pagamento da renda, cruzando os valores anunciados no idealista com os dados de rendimento fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística. Já na compra, o indicador resulta da parcela de rendimento canalizada para um crédito habitação com características médias, em termos de duração e taxa de juro, ajustado recentemente à luz da descida das taxas de referência publicadas pelo Banco Central Europeu.
Fonte: Idealista