O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a degradação do serviço ferroviário na Linha do Alentejo, depois de vários incidentes registados no início de maio terem provocado atrasos, supressões e passageiros retidos durante horas. Num requerimento entregue na Assembleia da República, o partido pede esclarecimentos sobre a atuação da CP e a inexistência de soluções de contingência.
O caso mais grave ocorreu a 5 de maio, quando o comboio regional que saiu de Beja às 10h45 com destino a Casa Branca ficou imobilizado a poucos quilómetros da estação final, com cerca de vinte passageiros a bordo, durante aproximadamente três horas. Segundo o requerimento do BE, baseado numa notícia do jornal Público, a assistência acabou por ser prestada por populares e pela GNR, até à chegada de uma locomotiva de socorro enviada de Lisboa.
Os bloquistas referem ainda que a automotora UDD469 já circulava avariada desde o dia anterior, funcionando apenas com um dos motores. Apesar disso, continuou ao serviço comercial e percorreu 59 dos 64 quilómetros previstos antes de ficar parada. O partido quer saber se o Ministério das Infraestruturas tinha conhecimento prévio da situação.
Também no mesmo dia, o comboio das 8h22 entre Beja e Casa Branca foi substituído por transporte rodoviário. Contudo, devido a obras na EN2, o percurso alternativo acabou desviado para um caminho de terra batida, terminando junto ao portão de uma propriedade agrícola.
Segundo a pergunta parlamentar do BE, a outra automotora afeta à Linha do Alentejo, a UDD468, encontrava-se igualmente avariada. Já uma terceira unidade enviada de Lisboa para minimizar os constrangimentos acabou também imobilizada em Vendas Novas, deixando a linha sem qualquer automotora operacional.
Os problemas tiveram impacto nas ligações a Lisboa. Passageiros oriundos de Beja perderam o Intercidades e o comboio seguinte chegou ao Oriente com 98 minutos de atraso. Já os passageiros do regional das 10h45 chegaram ao destino às 23h10, muito depois da hora prevista.
No documento, o partido recupera declarações do presidente da CP, Pedro Moreira, feitas em abril, nas quais admitiu dificuldades na substituição de material circulante. “não temos muitas vezes capacidade de substituir unidades porque estamos a usar a totalidade do material circulante [a diesel] que nós temos”, afirmou.
O BE aponta ainda atrasos em projetos de modernização ferroviária e considera que os episódios registados levantam dúvidas sobre o cumprimento das obrigações de serviço público e dos deveres de assistência aos passageiros.
Fonte: Assembleia da República