Governo cobre diferença de 60 milhões para eletrificação ferroviária entre Casa Branca e Beja

Depois de semanas de incerteza e alguma tensão política em torno do financiamento, o Governo garante agora a verba necessária para eletrificar a Linha do Alentejo entre Casa Branca e Beja, recorrendo a outros fundos comunitários e ambientais.

Após muita conversa sobre o tema nos últimos tempos, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou que o Governo vai assegurar a diferença de 60 milhões de euros (ME) referentes à eletrificação ferroviária da Linha do Alentejo, no troço Casa Branca-Beja. À margem de uma cerimónia na Câmara de Beja, a governante garantiu que “não existe qualquer motivo para alarme”, sublinhando que o Executivo já decidiu assumir essa diferença de despesa.

De acordo com a Agência Lusa, as verbas serão asseguradas através do Programa Operacional Sustentável 2030 e do Fundo Ambiental. Maria da Graça Carvalho afirmou que “estão assegurados os 60 ME por outros fundos”, classificando a decisão como um “compromisso reforçado” com uma obra há muito aguardada pelas populações do Baixo Alentejo e por quem visita a região. Sobre o calendário das obras, remeteu esclarecimentos para o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz.

A ministra reiterou também o “compromisso” de concluir a A26 até Beja, lembrando tratar-se de “uma promessa à muito devida pelos bejenses”. O anúncio surge após a revisão da dotação financeira do projeto, comunicada em 2 de dezembro numa reunião em Évora entre o Alentejo 2030, a Infraestruturas de Portugal (IP) e a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), na qual foi entendido que o programa já “não podia manter a verba” de 80 milhões inicialmente prevista para a obra.

Na altura, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, António Ceia da Silva, justificou a revisão por a intervenção “não ser exequível” no atual quadro comunitário, que termina em 2027. A decisão foi contestada pela IP, que a classificou como “decisão unilateral da CCDR”, enquanto a CIMBAL assumiu “alguma inquietação” com um horizonte de execução que se estende até 2032.

A situação desencadeou ainda divergências políticas na região, incluindo uma troca de acusações entre a Distrital de Beja do PSD e o presidente da CIMBAL, o socialista António José Brito. O PSD pediu audições parlamentares sobre o processo e a Federação do Baixo Alentejo do PS exigiu ao Governo que esclareça a revisão das dotações do programa Alentejo 2030.

Com a garantia de cobertura dos 60 milhões em falta, o Executivo procura agora fechar um dossiê que gerou alguma tensão política em torno da modernização e eletrificação da Linha do Alentejo entre Casa Branca e Beja nos últimos tempos.

Fonte: Lusa

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