A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, revelou esta terça-feira que o projeto do novo Hospital Central do Alentejo, atualmente em construção em Évora, apresenta uma derrapagem orçamental de 58% face ao plano funcional inicial. A governante explicou que o prolongamento da empreitada, iniciada em 2008, é o principal motivo para o desvio financeiro.
“Uma obra, quando leva muito tempo, acaba sempre por ter derrapagens. Esta já vai em 58% e eu diria que não vamos ficar por aqui”, afirmou a ministra após visitar o estaleiro da futura unidade hospitalar, cuja execução ultrapassa já os 70%. Segundo a Lusa, o investimento previsto passou dos 150 para cerca de 237 milhões de euros, refletindo alterações técnicas e novos requisitos de segurança e qualidade assistencial.
Ana Paula Martins frisou ainda a necessidade de rever o acordo com a Câmara Municipal de Évora relativo aos acessos e arruamentos, adiantando que está “apalavrada” uma reunião com o presidente do município, Carlos Zorrinho. O autarca, por sua vez, declarou ver na visita da ministra “um sinal claro da vontade do Governo em concluir o projeto com rapidez”, sublinhando que a autarquia está preparada para avançar com as obras de acessibilidade, assim que estejam reunidas as condições legais e patrimoniais.
De acordo com a Agência Lusa, a nova unidade hospitalar contará com 360 camas em quartos individuais, número que poderá ser alargado até 487, além de 11 blocos operatórios, cinco postos de pré-operatório e 43 de recobro. A ministra reiterou que o hospital “faz muita falta, não só à região do Alentejo, mas a todo o distrito”, admitindo que as atuais instalações já não oferecem condições adequadas para profissionais e doentes.
A conclusão da obra está agora prevista para 2027, mais de 19 anos após o início do processo.
Fonte: Lusa