O docente do Departamento de Informática da Universidade de Évora, Francisco Coelho, é um dos investigadores do projeto Zugzwang, dedicado a encontrar novas abordagens à inteligência artificial (IA). O investigador, também associado ao Centro Nova Links e membro da Cátedra de Computação de Elevado Desempenho, explicou que o objetivo é superar as limitações dos sistemas atuais, sobretudo no que toca à compreensão e transparência dos resultados.
Segundo Francisco Coelho, as inteligências artificiais modernas, baseadas em redes neuronais e grandes volumes de dados, “tornam-se praticamente impossíveis de inspecionar” após a fase de treino. Este é, sublinha, “um grande problema, porque quando um sistema produz uma resposta, é essencial compreender o processo que leva a essa resposta e não a outra”.
Como alternativa, o investigador recorda a inteligência artificial simbólica, que “assenta na representação formal do conhecimento”, permitindo que as conclusões sejam verificáveis e analisáveis. Contudo, nota que este modelo “não é adequado para tratar problemas dominados pela incerteza”.
É precisamente nesta fronteira que o projeto Zugzwang atua: combinar o melhor da inteligência artificial simbólica e da numérica, criando sistemas capazes de lidar com problemas complexos e incertos, mas cujos resultados possam ser verificados.
Fonte: 90 Segundos de Ciência