José Luís Peixoto distinguido com o Prémio Vergílio Ferreira 2026

Reconhecimento atribuído pela Universidade de Évora assinala 110 anos do nascimento de Vergílio Ferreira.

O escritor alentejano José Luís Peixoto é o vencedor do Prémio Vergílio Ferreira 2026, distinção atribuída pela Universidade de Évora ao conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa. A decisão foi tomada por unanimidade pelo júri, reunido ontem, 28 de janeiro, data em que se assinalaram 110 anos do nascimento de Vergílio Ferreira, patrono do galardão.

Criado em 1997, o prémio reconhece anualmente percursos literários marcantes no domínio da narrativa e do ensaio. Na edição de 2026, o júri, presidido por Antonio Sáez Delgado, destacou José Luís Peixoto “pela força criativa da sua ficção, que parte da experiência vital no Alentejo e chega ao mundo inteiro, com uma escrita rica em densidade emocional que aborda temas como identidade, memória, ruralidade e diáspora”. Natural da vila de Galveias, o autor tem a sua obra traduzida em mais de 30 línguas, consolidando uma presença internacional consistente.

O percurso literário de José Luís Peixoto iniciou-se com Morreste-me, obra publicada há cerca de 25 anos, à qual se seguiram títulos que aprofundam a relação entre território, memória e condição humana. Entre eles destaca-se Galveias (2014), romance situado na sua terra natal, bem como Almoço de Domingo (2021) e A Montanha, lançado em outubro de 2025, que confirma a vitalidade criativa do autor.

Ao longo da carreira, o escritor foi distinguido com vários prémios nacionais e internacionais. Recebeu o Prémio Literário José Saramago em 2001, com Nenhum Olhar, e o Prémio Cálamo Otra Mirada em Espanha, em 2007, por Cemitério de Pianos. Em 2012, Livro foi considerado o melhor romance europeu em Itália, enquanto Galveias obteve reconhecimento no Brasil, com o Prémio Oceanos, e no Japão, onde venceu o Prémio da Melhor Tradução em 2019.

A cerimónia de entrega do Prémio Vergílio Ferreira realiza-se habitualmente a 1 de março, data da morte do escritor que lhe dá nome, mas este ano está agendada para 2 de março, uma segunda-feira. Ao longo das suas quase três décadas de existência, o galardão distinguiu autores como Maria Velho da Costa, Mia Couto, Agustina Bessa-Luís, Lídia Jorge, Gonçalo M. Tavares, Ana Luísa Amaral, Ondjaki e Djaimilia Pereira de Almeida, afirmando-se como uma referência no panorama literário de língua portuguesa.

Fonte & Foto: Universidade de Évora

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