Pobreza desce no país, mas é mais elevada no Alentejo

Apesar da melhoria global dos indicadores em Portugal, o Alentejo é uma das poucas regiões onde o risco de pobreza não acompanhou a tendência nacional e continua estruturalmente mais elevado.

O risco de pobreza em Portugal desceu para 15,4% em 2024, menos 1,2 pontos percentuais do que no ano anterior, segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento. No Alentejo, porém, a realidade é menos favorável. A região registou uma taxa de 17,9%, acima da média nacional e a mais elevadas do país, numa evolução que contrasta com a descida generalizada observada na maioria das regiões.

Esta diferença torna-se ainda mais significativa por o Alentejo ser uma das poucas regiões onde o risco de pobreza aumentou entre 2023 e 2024, quando no conjunto do país se verificou uma redução. A leitura regional dos dados mostra que a melhoria nacional não chegou de forma homogénea ao território alentejano, reforçando a ideia de um desfasamento persistente entre a região e a média do país.

Quando se utiliza uma linha de pobreza regional, ajustada ao rendimento mediano do próprio território, o risco de pobreza no Alentejo desce para 15,1%, um valor mais próximo da média nacional. Esta diferença evidencia que o custo de vida inferior à média atenua parcialmente a pobreza medida com critérios nacionais. Ainda assim, o Alentejo não surge como uma região convergente, mantendo níveis de vulnerabilidade semelhantes aos do país no seu conjunto.

Os dados ajudam a explicar esta fragilidade estrutural. O rendimento mediano por adulto equivalente no Alentejo foi de 13.866 euros, abaixo dos 14.465 euros registados a nível nacional. Ao mesmo tempo, a região apresenta um valor de intensidade laboral per capita muito reduzida inferior à média do país, o que indica que o problema não reside tanto na ausência de trabalho, mas sim na baixa remuneração e no fraco valor económico do emprego disponível.

No indicador mais amplo de pobreza ou exclusão social, que combina rendimento, privação material e intensidade laboral, o Alentejo volta a surgir ligeiramente acima da média nacional, com 19,7% da população nessa situação, face a 18,6% em Portugal. O retrato traçado pelo inquérito confirma, assim, uma região que trabalha, mas que continua a não conseguir transformar o trabalho em rendimentos suficientes, permanecendo presa a um patamar de vulnerabilidade que o crescimento estatístico do país ainda não conseguiu quebrar.

Dados: INE

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