A Universidade de Évora (UÉ) vai integrar a equipa científica que sustentará a criação da Área Marinha Protegida de Interesse Comunitário ao largo de Cascais, Mafra e Sintra, num corredor ecológico que se estende de Torres Vedras (a norte) a Oeiras (a sudeste). Segundo o Sintra Notícias, as câmaras municipais aprovaram a adjudicação de estudos sobre os valores naturais no mar contíguo aos três concelhos, no âmbito de um protocolo financiado pelo Fundo Ambiental.
No lote 1 (biodiversidade marinha), a UÉ associa-se à Mardive – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha, num contrato de 160 mil euros (mais IVA). Já no lote 4, dedicado à análise da biodiversidade e habitats marinhos submareais, a UÉ integra um consórcio com o Centro de Ciências do Mar do Algarve, Universidade do Algarve, Associação para a Investigação e Desenvolvimento em Ciências, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Associação para a Inovação e Desenvolvimento e Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, no montante de 458 mil euros (sem IVA).
O desenho operacional distribui responsabilidades pelos três municípios: Mafra conduz o lote 1 e duas áreas do lote 4 (amostragem e análise entre cinco e 20 metros de profundidade), com um investimento de 359 mil euros; Cascais executa o lote 2 e duas áreas do lote 4 (censos de aves e mamíferos marinhos e avaliação de recursos pesqueiros), num total de cerca de 299 mil euros; Sintra assume o lote 3 (hidrografia), com 281 mil euros. As deliberações foram aprovadas em Cascais a 7 de Outubro, em Mafra a 10 de Outubro e em Sintra a 18 de Novembro de 2025, após a constituição do agrupamento de entidades adjudicantes e a definição dos gestores de contrato.
Do ponto de vista científico, a futura área marinha abrange ecossistemas com “jardins de corais” e esponjas na região do Cabo da Roca, habitats protegidos cuja integridade ecológica importa conhecer e salvaguardar. Na zona entremarés foram identificadas 22 espécies de peixes, 111 de invertebrados e 57 de algas, além de importantes povoamentos biológicos, conforme relatório de expedição da Fundação Oceano Azul. Para a Universidade de Évora, a participação nos lotes 1 e 4 representa um contributo direto para a caracterização da biodiversidade e dos habitats submareais, articulando investigação aplicada e serviço público em prol de uma decisão informada sobre conservação, ordenamento e usos do mar.
Fonte: Sintra Notícias | Foto: Fundação Oceano Azul