Universidade de Évora leva o seu espólio artístico “fora de portas” pela primeira vez

Mostra inédita revela 21 obras de artistas como Paula Rego, Mário Cesariny e Cutileiro, num diálogo entre a academia e a cidade.

A Universidade de Évora (UÉ) inaugura amanhã, 1 de novembro, a exposição “ÉUMAVEZ. Artes e Visualidade na Universidade de Évora”, um marco na história cultural da instituição e da cidade. Pela primeira vez, 21 obras do espólio artístico da universidade são apresentadas ao público, reunindo nomes de referência como Paula Rego, Mário Cesariny, João Cutileiro e António Palolo.

Patente no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida (FEA) até 1 de março de 2026, a mostra insere-se nas comemorações do 50.º aniversário da refundação da Universidade de Évora e resulta de uma parceria entre a academia, a FEA e o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo. Segundo declarou à agência Lusa a vice-reitora para a Cultura e Comunidade, Ana Telles, esta efeméride “representa a vontade de abrir as nossas coleções ao público”, dando visibilidade a obras que, até agora, “têm estado fechadas e sem qualquer tipo de musealização”.

A exposição, com curadoria de Filipe Rocha da Silva, distribui-se por dois espaços do centro cultural: na Sala Rostrum, encontram-se as peças de pintura, escultura e desenho, enquanto o Átrio acolhe uma componente documental e histórica. Esta última integra três vídeos com testemunhos de figuras ligadas à coleção artística da UÉ — entre eles os professores José Alberto Machado e António Cândido Franco, e Arlete Brito da Silva, da Galeria 111, em Lisboa.

De acordo com a Fundação Eugénio de Almeida, esta vertente documental pretende “aprofundar o conhecimento sobre a investigação e a história da coleção”, incluindo materiais biográficos doados por um dos artistas à universidade. Os vídeos, acrescenta, ajudam a contextualizar a origem e o significado das obras apresentadas, lançando pontes entre o passado e o presente da criação artística em Évora.

A vice-reitora sublinha que se trata da primeira vez que estas obras saem dos espaços universitários, e que o objetivo é “abrir a universidade à comunidade e valorizar a própria coleção artística”, composta por cerca de 70 peças. “É uma forma de abrirmos as portas e convidarmos a comunidade para usufruir da produção cultural da universidade, ainda por cima num dos espaços expositivos mais dignos da cidade, da região e do país”, frisou Ana Telles à Lusa.

Com 21 obras reunidas sob o mesmo teto, “ÉUMAVEZ” representa mais do que uma exposição: é o encontro entre a memória artística e a identidade académica, um gesto simbólico de partilha que devolve à cidade o património silencioso da sua universidade.

Fonte: Lusa | Foto: FEA

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