Câmara Municipal de Évora quer transformar o Rossio numa “praça-marca” da Capital Europeia da Cultura

Na reunião pública desta tarde, o executivo defendeu uma intervenção mais ambiciosa no Rossio, estimada em cerca de 9 milhões de euros e dividida em duas fases.

A Câmara Municipal de Évora quer que a passagem da Capital Europeia da Cultura deixe uma marca física na cidade e apontou o Rossio como espaço central dessa transformação. Na reunião pública realizada esta tarde, Carlos Zorrinho explicou que a verba inicialmente disponível através do PRR não permitiria mais do que uma “intervenção mínima” e, por isso, o município optou por reformular a estratégia.

O autarca enquadrou a opção com exemplos de outras capitais europeias da cultura e defendeu que Évora deve ambicionar um legado visível e estruturante. Referindo o financiamento associado ao projeto e a dimensão da área a intervencionar, sublinhou que, “com um financiamento de 2 milhões e 350 mil para o Rossio, para 44 mil metros quadrados, a única coisa que permitia fazer era aplanar e pouco mais”, insistindo na necessidade de criar uma nova centralidade e um espaço multiusos ao ar livre. “Já que não conseguimos fazer o multiusos, e não é momento para discutir isso, acho que no mínimo temos de conseguir uma marca que fique, uma nova centralidade para a cidade, uma marca material da Capital da Cultura que tenha um impacto global na estrutura da cidade, que seja uma praça-marca, um multiusos a céu aberto. Isso não é possível fazer com 2 milhões e 350 mil”, acrescentou.

O plano passa por uma requalificação profunda, incluindo enterramento de cabos, recuperar o Monte Alentejano, “com casas de banho dignas”, e melhoria das zonas envolventes e das condições de apoio, além de criar áreas de fruição e capacidade para acolher grandes eventos. A intenção é que o espaço possa receber concertos e iniciativas de cidade, mantendo flexibilidade de gestão do estacionamento e da circulação consoante as necessidades. “A Praça de Giraldo é o coração do centro histórico, o Rossio é o coração da cidade de Évora”, afirmou, para sustentar a ideia de um segundo polo urbano com vocação complementar.

Em termos de calendário e financiamento, o executivo aponta para um projeto de execução na ordem dos 9 milhões de euros dividido em duas partes. A primeira, orçamentada em cerca de 4 milhões de euros, mas com “financiamento praticamente garantido”, será executada do lado do Rossio junto à Arena com intenção de que esteja pronta em Julho/Agosto. A segunda parte, com custo de cerca de 5 milhões de euros, será candidatada a outro fundo, com o objetivo de estar pronta a tempo da Capital Europeia da Cultura.

O presidente pediu convergência política para reforçar a pressão por soluções de financiamento, defendendo que a cidade não pode aceitar que o evento termine sem uma obra-símbolo: “nós, Cidade de Évora, Capital Europeia da Cultura, não nos podemos conformar que uma vez feita a Capital Europeia da Cultura não fique na nossa cidade uma marca“, afirmou, acrescentando que “é do interesse do país, é do interesse do governo, é do interesse do município, que Évora, Capital Europeia da Cultura, deixe uma marca transformadora nesta cidade e neste concelho. E eu acho que isto pode unir-nos e é um discurso forte”.

O projeto será, em breve, dividido para ratificação da primeira parte e aprovação da segunda.

Fonte: Câmara Municipal de Évora

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