A Câmara Municipal de Évora aprovou por unanimidade, na reunião pública de ontem, 5 de fevereiro, o projeto da 1.ª fase da requalificação do Rossio de S. Brás, um investimento de 4,1 milhões de euros assegurado pelo PRR. A decisão dá corpo à orientação política já revelada a 22 de janeiro, quando o executivo defendeu uma intervenção profunda no Rossio, pensada em duas fases e com um valor global na ordem dos 9 milhões de euros.
Na reunião da tarde de ontem, o presidente da Câmara, Carlos Zorrinho, sublinhou que a renovação do Rossio pretende “marcar uma nova centralidade na cidade” e consolidar o espaço como um “multiusos a céu aberto” que ficará como “grande referência material associada à Capital Europeia da Cultura”. A ideia articula-se com o que o autarca já tinha defendido na reunião pública de 22 de janeiro, quando reivindicou para o Rossio uma “marca material da Capital da Cultura que tenha um impacto global na estrutura da cidade, que seja uma praça-marca, um multiusos a céu aberto”, posição então assumida perante a limitação inicial do financiamento disponível.
O projeto aprovado agora traduz essa ambição em soluções concretas. Está prevista a requalificação do espaço para garantir condições adequadas de parque de estacionamento, recinto das feiras mensais e da Feira de S. João, bem como para acolher eventos ligados à Capital Europeia da Cultura. A infraestrutura de drenagem do terreno será reforçada, as redes elétricas serão retiradas da superfície e reorganizadas, desaparecerão os armários hoje dispersos no espaço e serão construídas novas instalações sanitárias públicas, com requisitos funcionais e higiénicos definidos.
Na apresentação técnica feita em reunião pública, a cargo do chefe da Divisão de Ordenamento e Reabilitação Urbana, Pedro Fogaça, foram elencados os principais pressupostos da intervenção: “manter o caráter original de terreiro”, “viabilizar uma melhor e mais segura acessibilidade”, “tornar a paisagem urbana mais limpa e agradável”, “constituir um espaço multifuncional novo e convidativo” e não fechar a porta a futuras intervenções no Rossio. A operação pretende ainda dar continuidade ao Projeto de Requalificação do Interface Modal, respeitando e valorizando o enquadramento patrimonial da envolvente, que inclui a Ermida de São Brás, o Chafariz do Rossio de S. Brás, a Cerca-Nova, o Monumento aos Mortos da Grande Guerra, o Jardim Público e a Porta do Rossio.
Entre as intervenções concretas apontadas destacam-se o reperfilamento da Rua Rossio Ocidental, a retirada das lajes atualmente existentes, a modelação do terreno, a remodelação das infraestruturas elétricas, a criação de novos acessos pedonais e rodoviários e a repavimentação. O objetivo é compatibilizar o uso quotidiano do Rossio, enquanto espaço de estacionamento e atravessamento, com a capacidade para receber grandes iniciativas, mantendo flexibilidade na gestão da circulação.
Na reunião de 22 de janeiro, Carlos Zorrinho tinha lembrado que, com o financiamento inicialmente previsto para o Rossio, “a única coisa que permitia fazer era aplanar e pouco mais”, considerando insuficiente uma “intervenção mínima” num espaço com cerca de 44 mil metros quadrados e central na vida da cidade. O autarca defendeu então que Évora deve ambicionar um legado visível da Capital Europeia da Cultura e reforçou a ideia de que “A Praça de Giraldo é o coração do centro histórico, o Rossio é o coração da cidade de Évora”.
Com a aprovação do projeto de execução da primeira fase, a autarquia dá um passo formal decisivo na concretização dessa estratégia. Em janeiro, o executivo já tinha avançado que esta etapa inicial, focada na zona junto à Arena, teria financiamento “praticamente garantido” e um custo de cerca de 4 milhões de euros, ficando a segunda fase dependente de nova candidatura, estimada em aproximadamente 5 milhões. A deliberação agora tomada confirma esse desenho em duas fases e reforça a mensagem política deixada pelo presidente da Câmara, quando apelou à convergência em torno de uma obra-símbolo para a cidade, afirmando que Évora, Capital Europeia da Cultura, não se deve conformar com um evento sem “marca transformadora” na paisagem urbana.
Fonte & Imagem: Câmara Municipal de Évora