Carlos Zorrinho promete “virar a página” e governar Évora com estabilidade construída

O socialista venceu a coligação PPD/PSD.CDS-PP.PPM por 156 votos e promete liderar uma “grande coligação com os eborenses”, focada em desbloquear a cidade e preparar a Capital Europeia da Cultura

Carlos Zorrinho será o novo presidente da Câmara de Évora. O candidato do PS venceu a autarquia à CDU sem maioria absoluta – por uma diferença de apenas 156 votos para a coligação PPD/PSD.CDS-PP.PPM -, mas garante que “o resultado é muito claro”: os eleitores decidiram “virar a página” e confiar-lhe a liderança dessa mudança.

Durante a entrevista na Hora dos Vencedores, ontem na RTP Notícias, o novo autarca sublinhou que pretende governar com estabilidade, mesmo sem maioria: “Vou construí-la, porque a democracia é isso mesmo. A partir de hoje estou a trabalhar para reforçar uma grande coligação com os eborenses.”

Zorrinho defende que o município deve assumir um novo papel, mais dinâmico e aberto ao diálogo com todas as forças políticas e entidades locais. “É preciso colocar a Câmara Municipal de Évora numa perspetiva completamente diferente. Até agora tem sido o travão da dinâmica do concelho”, afirmou, acrescentando que quer transformar a autarquia “na base de um ressurgimento”, em colaboração com associações e instituições do concelho.

Questionado sobre eventuais entendimentos partidários, foi cauteloso: “É muito prematuro. Falarei com todos os partidos que tiveram eleitos e também com outros que não tiveram, porque acho que o diálogo deve ser muito aberto.”

Entre as prioridades imediatas, destacou o plano de emergência de 17 medidas para os primeiros dez meses de mandato, que começará “no primeiro dia”. A primeira será reunir com os trabalhadores da Câmara e a segunda, “ir onde for necessário, falar com os ministros que for necessário, ir à União Europeia quando necessário”, para desbloquear projetos e investimentos parados.

O socialista, que foi eurodeputado e secretário de Estado, mostra-se confiante numa relação construtiva com o Governo central, mesmo sendo de outro partido: “Terei uma atitude construtiva com o Governo, seja ele do partido que for”, afirmou, defendendo uma linguagem de “razoabilidade” em nome dos interesses do concelho.

Com Évora prestes a assumir o título de Capital Europeia da Cultura em 2027, Zorrinho reconhece que há muito trabalho pela frente. “Agora não há tempo para vagar”, avisou, numa referência ao conceito que inspirou a candidatura. “O vagar foi inspirador para ganharmos, mas penalizador para lançarmos os projetos. Agora é preciso acelerar.

Entre os investimentos prioritários, apontou o grande pavilhão multiuso e cultural, que poderá estar apenas em fase inicial na altura do evento, e a necessidade de envolver artistas, empresas e a população. “Não quero que, no dia em que terminar a Capital Europeia da Cultura, se apaguem as luzes. Évora tem de continuar a ser uma capital cultural.

Com uma vitória curta, mas simbólica, Carlos Zorrinho promete que “a partir de hoje, Évora deixa de ser um concelho pequeno e confortável” e passa a olhar o futuro “com ambição e movimento”.

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