Carlos Zorrinho toma posse em Évora com promessa de auditoria, enquanto ouve recados da CDU

Na tomada de posse, a CDU deixou perguntas duras sobre a execução de projetos e a continuidade do saneamento financeiro. Carlos Zorrinho prometeu diálogo, uma auditoria técnica e foco na execução.

Na tomada de posse, a CDU deixou perguntas duras sobre a execução de projetos e a continuidade do saneamento financeiro. Carlos Zorrinho prometeu diálogo, uma auditoria técnica e foco na execução.

O momento político e os “recados” da CDU

A instalação dos novos órgãos autárquicos de Évora ficou marcada por um discurso da CDU, através de José Figueira, que apontou duas balizas para o mandato: “Que concretização vai ser dada aos projetos preparados e ao trabalho em curso” e “que continuação vai ser dada ao caminho feito nos últimos 12 anos de recuperação financeira da autarquia”. A coligação elencou montantes e áreas onde quer ver obra no terreno — habitação, escolas, saúde, cultura e rede viária — e avisou que o caminho não pode pôr em causa o saneamento financeiro alcançado. “O caminho que vai ser trilhado não pode hipotecar o esforço feito e lançar de novo Évora em situações de desvario e bancarrota.”

A CDU garantiu que não fará “oposição negativa” e que estará onde houver desenvolvimento e bem-estar para as populações, deixando, ainda assim, o desafio político ao novo executivo. “Não faremos oposição negativa de boicote, bota abaixo e bloqueio.”

AD endurece o tom e pede auditoria “imediata e total”

Pela AD, Francisco Figueira, deixou uma leitura de rutura com o passado (“uma maioria velha coligada que nos últimos quatro anos esteve coligada com uma velha maioria”), defendendo que os eleitores “escolheram um tempo novo” e que “Évora não passou um cheque em branco”. Pediu “uma auditoria imediata e total a todo o perímetro das responsabilidades” e voltou a temas securitários, incluindo a “instalação da videovigilância” e respostas urgentes a acampamentos e assentamentos ilegais, trânsito, limpeza e habitação. “Nós não somos oposição, somos mesmo alternativa.”

Chega fala em “rigor” e “defesa do interesse público”

O Chega apresentou-se como vigilante do dinheiro dos contribuintes, prometendo “rigor, transparência e defesa intransigente do interesse público” e rejeitando “desperdícios” e “silêncios cúmplices”. “Contem com o Chega, não para criar problemas, mas para resolver o que outros ignoraram,” disse César Silva.

Movimento Cuidar de Évora pede ciclo “virtuoso”

Paulo Veiga Ribeiro, do Movimento Cuidar de Évora, felicitou os eleitos e defendeu mais sessões descentralizadas, o reforço da Assembleia Municipal Jovem e debates estratégicos sobre o papel de Évora no Alentejo. Desafiou os eleitos a estarem à altura de um mandato que considerou “histórico”, dadas as obras em curso e o horizonte de 2027.

Carlos Zorrinho promete diálogo, auditoria e execução

No primeiro discurso como presidente, Carlos Zorrinho sublinhou que “o diálogo construtivo é uma condição de sucesso coletivo” e anunciou de imediato a convocação da primeira reunião de câmara para 5 de novembro, antecedida de encontros bilaterais com todos os vereadores. O novo autarca colocou a fasquia na execução: “É sempre mais eficaz trabalhar sobre soluções do que sobre problemas” e adiantou cinco primeiras medidas, entre as quais um “plano de emergência” em articulação com as juntas para conhecer melhor os dossiês, a melhoria de procedimentos internos e o lançamento das bases da criação de um Gabinete de Projetos do Município e do desenvolvimento do seu sistema de informação integrado.

Zorrinho anunciou também uma auditoria técnica, funcional e financeira a tornar pública, afirmando que não visa criar desconfiança sobre o passado, mas “semear a confiança em relação ao futuro” e consolidar decisões sustentadas. A prioridade estratégica, disse, passa por aproveitar a Capital Europeia da Cultura 2027 como alavanca para acelerar respostas em limpeza urbana, mobilidade, habitação e solvabilidade da autarquia. “Não haverá uma Évora forte sem um Alentejo forte, nem um Alentejo forte sem uma Évora forte.”

O que fica da tomada de posse?

Ficaram três linhas claras: os recados de continuidade da CDU, a agenda de execução e auditoria anunciada por Zorrinho e a pressão política da AD por escrutínio imediato e medidas de segurança. Chega e Movimento Cuidar de Évora fixaram o seu posicionamento para uma legislatura em que a Capital Europeia da Cultura 2027 surge como teste à capacidade de cooperação e entrega de resultados. “Um começo de conversa, um começo de ação e um começo de execução.”

Foto: evoraviva.pt

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