O Centro Dramático de Évora (Cendrev) não viu renovado o seu apoio quadrienal da Direção-Geral das Artes (DGArtes), decisão que o diretor artístico, José Russo, recebeu com “surpresa”. O responsável reconhece tratar-se de um revés, mas assegura que a companhia apresentará nova candidatura ao concurso de 2026, determinada em manter o seu papel no panorama teatral e cultural da região.
De acordo com a Agência Lusa, o Cendrev foi uma das cinco entidades nacionais cujo pedido de renovação foi recusado entre 135 estruturas apoiadas no ciclo 2023-2026. A contestação apresentada pela companhia não foi aceite, e Russo lamenta que a decisão tenha ocorrido “ao arrepio” do percurso recente do projeto, que celebra este ano o seu 50.º aniversário e reforçou a programação no Teatro Garcia de Resende.
Criado em 1975, o Cendrev tem desenvolvido um trabalho contínuo de criação, formação e difusão artística, destacando-se pela ligação às escolas e aos autores portugueses. O diretor artístico sublinha que o apoio quadrienal foi essencial para a estabilidade do projeto, que enfrentará agora um novo processo administrativo num momento em que Évora se prepara para ser Capital Europeia da Cultura em 2027.
Entre as estruturas culturais do Alentejo que beneficiaram do apoio quadrienal da DGArtes encontram-se a bruxa TEATRO, Alma d’Arame – Associação Cultural, Associação Cultural Sete Sóis Sete Luas, Associação Musical de Évora – Eborae Musica, BAAL 17 – Companhia de Teatro na Educação do Baixo Alentejo, Companhia de Dança Contemporânea de Évora, Contra Regra – Associação de Animação Cultural, Cultivamos Cultura, O Espaço do Tempo – Associação Cultural, Oficinas do Convento, PedeXumbo – Associação para a Promoção da Música e da Dança e o Projecto Ruínas Associação.
Segundo a Lusa, o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, afirmou que o Governo está a preparar o novo concurso de apoios quadrienais, enquanto o diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, garantiu que a não renovação “não é irremediável”, permitindo nova candidatura no próximo ano.
Apesar do desfecho, José Russo mantém a confiança: o Cendrev, diz, continuará a erguer-se “para o bem e para o mal”, como um símbolo de resistência cultural que há meio século dá corpo à arte e à memória no coração de Évora.
Fonte: Lusa | Foto: Cendrev