Quase um ano após a estratégia Água que Une, o Governo apresentou o Pro-Rios 2030, um programa com 187 milhões de euros para restaurar rios e ribeiras em todo o país, com impacto direto no Alentejo. A iniciativa prevê reabilitar mil quilómetros de linhas de água e realizar mais de 80 intervenções entre 2026 e 2030, procurando responder à degradação acumulada e à pressão climática que também afeta os concelhos alentejanos.
Do montante global, 52,5 milhões de euros destinam-se exclusivamente ao Alentejo e Algarve, assumindo estes territórios como prioritários. Segundo o Público, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinhou que a palavra de ordem é “executar”, defendendo ambição e rapidez para garantir que os investimentos saem do papel e chegam ao território.
O diagnóstico da Agência Portuguesa do Ambiente é duro. O seu presidente, José Pimenta Machado, também citado pelo Público, afirmou que “os rios não gostam de betão” e alertou para as “muitas asneiras” cometidas no passado ao emparedar e enterrar cursos de água. Mais de metade das massas de água superficiais ainda não atingiu o bom estado ecológico, condicionada por poluição, espécies invasoras e milhares de barreiras físicas.
Assente em cinco eixos, da renaturalização de leitos à remoção de obstáculos e ao reforço da monitorização científica, o Pro-Rios 2030 privilegia soluções baseadas na natureza e uma maior proximidade entre rios e populações. Para os concelhos do Alentejo, trata-se de uma oportunidade para reforçar a resiliência hídrica e ecológica, integrando este programa no futuro Plano Nacional de Restauro da Natureza que Portugal deverá apresentar à Comissão Europeia em 2026.
Fonte: Público