Hospital de Évora: 15 queixas por alegado assédio e intimidação colocam Enfermeiro Diretor sob investigação

O jornal digital Observador revela denúncias de enfermeiros da ULS do Alentejo Central que acusam Emanuel Boieiro de promover um “padrão de gestão baseado no medo”, com alegações de ameaças, humilhações e assédio laboral.

Num artigo publicado pelo Observador esta terça-feira, o Enfermeiro Diretor da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alentejo Central, Emanuel Boieiro, é alvo de pelo menos 15 queixas internas relacionadas com alegados episódios de assédio moral, intimidação, injúrias e abuso de poder no Hospital de Évora.

As participações, apresentadas nas últimas semanas junto do Conselho de Administração da ULS e de outras entidades, descrevem um ambiente laboral marcado por medo e pressão psicológica. Entre as expressões atribuídas a Emanuel Boieiro surgem frases como “ou estão comigo ou estão contra mim” ou “foi preciso vir um Boieiro para pôr os bois no sítio”, ambas citadas no artigo do Observador.

Os enfermeiros denunciam aquilo que classificam como um “padrão de gestão baseado no medo, na agressividade verbal e no desrespeito pela dignidade da pessoa humana”, considerando que a situação está a afetar não apenas os profissionais, mas também o funcionamento dos serviços e a qualidade da assistência prestada aos utentes.

De acordo com as denúncias, alguns profissionais terão recorrido a baixas médicas por danos psicológicos, alegadamente associados ao ambiente de trabalho criado pela direção de enfermagem. As queixas apontam ainda para situações de humilhação pública, retirada de funções, controlo de acessos a plataformas de trabalho e contactos realizados fora do horário laboral, incluindo durante férias ou períodos de doença.

Numa das exposições, um grupo de enfermeiros acusa Emanuel Boieiro de utilizar uma “linguagem desumanizada e humilhante”, recorrendo a comparações com gado. A frase “foi preciso vir um Boieiro para pôr os bois no sítio” é apontada como exemplo desse comportamento.

Outras declarações atribuídas ao responsável máximo da enfermagem da ULS incluem referências depreciativas a profissionais da instituição. Numa reunião, terá dito sobre uma responsável de gabinete: “É uma incompetente do século passado. Alguma vez se viu os processos em papel e feitos certificados à mão? Nem na época dos Afonsinhos”, citado no artigo do Observador em referência à responsável pelo Gabinete de Formação daquela unidade.

As denúncias referem igualmente alegadas ameaças veladas relacionadas com a influência política e institucional de Emanuel Boieiro. Segundo os queixosos, o enfermeiro diretor invocava proximidade com a ministra da Saúde e com o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, afirmando ser “amigo da ministra” e insinuando que eventuais queixas seriam conhecidas e teriam consequências para os denunciantes. Boeiro foi candidato à Junta de Freguesia de Quinta do Anjo pelo PSD em 2021.

A própria Unidade de Segurança no Trabalho da ULS terá alertado a administração para o “agravamento substancial da situação de assédio moral e perseguição laboral”, referindo o caso de um enfermeiro em situação compatível com síndrome de burnout e esgotamento psicológico. Nessa comunicação, foi pedida a adoção de medidas cautelares, incluindo o afastamento hierárquico do Enfermeiro Diretor relativamente ao trabalhador denunciante enquanto decorrem averiguações.

Ao Observador, a ULS do Alentejo Central confirmou a receção de queixas, embora sem indicar o número exato de participações formalizadas. Em resposta, a instituição afirmou que todas as exposições são analisadas “de acordo com os mecanismos legalmente previstos” e que poderão ser desencadeados processos de averiguação ou inquérito caso os factos o justifiquem.

Também a Ordem dos Enfermeiros confirmou estar a acompanhar o caso. O bastonário, Luís Barreira, afirmou que foi recebida uma queixa anónima já remetida para o Conselho Jurisdicional da Ordem, responsável pela vertente disciplinar. “Não aceitamos, quer da parte dos enfermeiros-gestores quer dos enfermeiros-diretores, este tipo de comportamentos e de pressão, de assédio laboral e outros tipos de comportamentos que afetem o bem-estar e condições de trabalho dos enfermeiros”, declarou àquele jornal digital.

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde confirmou igualmente que está a analisar a matéria para decidir se avança para a abertura de um inquérito.

Fonte: Observador

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