Ildebranda Martins apresenta em Monsaraz a exposição “Espírito Elevado” sobre fé e modernidade

Mostra na Igreja de Santiago propõe uma reflexão sobre a espiritualidade no mundo contemporâneo, entre o sagrado e o humano

A Igreja de Santiago, em Monsaraz, recebe entre amanhã, 20 de outubro, e 23 de novembro a exposição “Espírito Elevado”, da artista plástica Ildebranda Martins, uma proposta que convida o público a refletir sobre espiritualidade, fé e a condição humana num tempo de transformações aceleradas. A mostra, descrita como profundamente simbólica, transforma o espaço religioso num local de contemplação e diálogo entre o divino e o terreno. As visitas são possíveis diariamente das 9h30 às 13h e entre as 14h e as 17h.

Nascida em Angola, em 1965, Ildebranda Martins afirma que a sua arte “visa despertar consciências”, não se limitando a uma função decorativa, mas procurando “causar sensações, originar exclamações, gerar pensamentos nos outros”. A exposição reúne mais de vinte peças em técnica mista, combinando manequins, madeira, tecido, gesso, metal e elementos eletrónicos para construir narrativas visuais intensas e de forte carga simbólica e emocional.

Entre as obras em destaque, figuram “Rainhas”, homenagem a figuras históricas femininas como Inês de Castro e Filipa de Lencastre, e também “Viúvas da Guerra” e “Noivas da Guerra”, que abordam as marcas emocionais deixadas pelos conflitos humanos. Em “A Mensagem Divina das Crises” e “O Estado das Gentes”, a artista questiona a responsabilidade coletiva perante as crises sociais e ambientais atuais, enquanto “Estupidez Artificial” surge como uma metáfora crítica sobre o avanço tecnológico e as contradições da inteligência artificial.

A instalação central, “Espírito Elevado”, que dá nome à exposição, interroga a vivência da religião e da espiritualidade nas sociedades modernas, cada vez mais urbanas e tecnologicamente orientadas.

Com mais de 60 exposições realizadas, Ildebranda Martins tem centrado a sua criação em instalações assentes em manequins, explorando o seu potencial expressivo e teatral. É também curadora na Galeria Beltrão Coelho, em Lisboa, onde se dedica a promover artistas e incentivar práticas criativas alternativas, emergentes e menos comerciais.

Em Monsaraz, esta mostra reafirma o papel da arte como mediadora entre o humano e o transcendente, transformando o coração medieval da vila num espaço de encontro entre a tradição espiritual e a inquietação contemporânea.

Fonte & Foto: CM Reguengos de Monsaraz

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