O Executivo da Direção Regional do Alentejo do PCP voltou a criticar duramente o processo eleitoral para a presidência e vice-presidência da CCDR Alentejo, considerando que ficou marcado por um “negócio” entre PS e PSD que tratou “as regiões do País como coutadas partidárias”. A posição surge após a divulgação oficial dos resultados pela DGAL, que confirmaram a eleição de Ricardo Pinheiro, candidato único, num processo previamente alinhado entre os dois maiores partidos.
De acordo com os dados oficiais já noticiados, votaram 934 dos 1.284 membros do colégio eleitoral do Alentejo, o que corresponde a uma participação de 72,7%. O candidato reuniu 696 votos favoráveis, tendo-se ainda registado 210 votos em branco e 28 votos nulos, números que, para o PCP, não podem ser reduzidos a uma mera abstenção técnica. No comunicado, o partido sublinha que 588 eleitos autárquicos, ou 44,7% do total, decidiram não legitimar politicamente o processo, seja pela não participação, seja através do voto branco ou nulo.
Os comunistas consideram que esta expressão eleitoral traduz “um posicionamento político consciente de protesto institucional” e constitui um facto político “importante e inédito” na região, com consequências futuras. O PCP sustenta que o processo ficou ainda marcado pelo “desrespeito pelo poder local democrático” e pelo abandono de práticas de diálogo institucional que, afirma, caracterizaram durante décadas a relação entre o Estado central e a região.
O comunicado critica também responsáveis e estruturas regionais do Partido Socialista por terem saudado publicamente a eleição dos novos dirigentes antes da divulgação oficial dos resultados, atitude que, segundo o PCP, reforça as dúvidas quanto à alegada democratização das CCDR. O partido apela às entidades que irão integrar o Conselho Regional da CCDR Alentejo para que condenem a instrumentalização partidária do órgão e reafirma a defesa do poder local democrático, da Constituição da República Portuguesa e da regionalização.
Fonte: PCP Évora