O distrito de Beja registou em 2025 um total de 5.415 participações criminais, mantendo-se em níveis elevados após o pico atingido em 2023. De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), a evolução recente traduz uma estabilização da criminalidade geral, mas com sinais de agravamento na componente violenta.

A análise da série temporal evidencia uma trajetória irregular. Depois de uma descida acentuada até 2020 (ano em que se registaram 3.760 crimes), o distrito assistiu a um aumento significativo, atingindo 5.796 ocorrências em 2023. Nos dois anos seguintes, os números diminuíram ligeiramente, fixando-se agora nos 5.415 casos. Apesar desta redução face ao pico recente, os valores mantêm-se acima da média da última década, indicando uma pressão persistente sobre o território.
Em contraciclo com a estabilização da criminalidade geral, a criminalidade violenta aumentou de forma expressiva. Em 2025 foram registados 167 crimes violentos, o valor mais elevado da série analisada, superando os 149 de 2023 e os 142 de 2024. A tendência inverte o padrão anterior, marcado por mínimos em 2021 (84 ocorrências), e aponta para uma intensificação deste tipo de ilícitos.
No plano tipológico, os crimes mais participados continuam a concentrar-se em infrações contra pessoas e segurança rodoviária. As ofensas à integridade física voluntária simples lideram com 468 ocorrências, seguidas da violência doméstica (353) e da condução sob efeito de álcool (341). A ameaça e coação (277) e os incêndios florestais ou agrícolas (261) surgem igualmente com expressão relevante, refletindo especificidades territoriais e sazonais.

Os crimes económicos e digitais evidenciam também presença crescente. A burla informática e por meios de comunicação, associada à obtenção ilegítima de dados ou transferências, soma dezenas de participações, sinalizando uma adaptação da criminalidade a contextos tecnológicos, ainda que sem ultrapassar os níveis dos crimes tradicionais.
Na criminalidade violenta, os dados mostram aumentos particularmente acentuados em algumas tipologias. O roubo por esticão registou uma subida de 107,7%, atingindo 27 casos, enquanto a extorsão sexual duplicou face ao ano anterior, ainda que com números absolutos reduzidos (14 ocorrências). Também as outras extorsões cresceram 62,5%. Já o roubo na via pública (exceto por esticão) aumentou 3,7%, para 28 casos, e a resistência e coação sobre funcionário manteve-se estável, com 34 ocorrências.

A distribuição territorial das participações revela forte concentração em alguns concelhos. Beja (1.350 ocorrências) e Odemira (914) lideram destacadamente, seguidos de Moura (494) e Serpa (440). Em contraste, Barrancos (75) e Mértola (103) apresentam os valores mais baixos, refletindo menor densidade populacional e dinâmica urbana.

Os dados agora divulgados no RASI apontam para um cenário de relativa estabilização quantitativa, mas com alterações qualitativas relevantes. O aumento da criminalidade violenta e a persistência de crimes estruturais colocam desafios acrescidos às forças de segurança, num distrito marcado por dispersão geográfica e vulnerabilidades socioeconómicas específicas.
Fonte: RASI 2025