RASI 2025: Criminalidade em Portalegre desce em 2025 após pico recente

Participações diminuem face a 2023 e 2024, enquanto criminalidade violenta recua após subida acentuada no ano anterior.

O distrito de Portalegre registou em 2025 um total de 3.696 participações criminais, confirmando uma tendência de descida após o pico observado em 2023. Os dados constam do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que aponta para uma redução tanto na criminalidade geral como na violenta, ainda que os níveis se mantenham acima dos registados no período anterior à pandemia.

A evolução da criminalidade na última década evidencia um comportamento oscilante. Após uma descida até 2021 (ano em que se registaram 3.058 crimes), o distrito entrou num ciclo de subida que culminou em 2023 com 4.122 ocorrências. Nos dois anos seguintes, os números recuaram, fixando-se agora nos 3.696 casos. Apesar da diminuição recente, os valores permanecem superiores aos registados em vários anos da década anterior, sugerindo uma estabilização em patamares intermédios.

Também a criminalidade violenta registou uma inversão em 2025. Depois de atingir 146 ocorrências em 2024, o valor mais elevado da série recente, desceu para 108 casos. Ainda assim, o número mantém-se acima dos mínimos observados até 2022, quando se registaram 93 ocorrências, indicando uma volatilidade significativa neste tipo de crime.

No plano tipológico, os crimes mais participados continuam a concentrar-se em infrações contra pessoas e segurança rodoviária. A condução sob efeito de álcool lidera com 337 ocorrências, seguida da violência doméstica (310) e das ofensas à integridade física voluntária simples (293). A ameaça e coação (254) e os incêndios florestais ou agrícolas (139) surgem igualmente com peso relevante, refletindo especificidades do território.

Os crimes patrimoniais mantêm presença significativa, ainda que com sinais mistos. O furto em residência com arrombamento registou 62 casos, enquanto os furtos de metais não preciosos atingiram 94 ocorrências. Já os crimes associados a burlas, incluindo esquemas com recurso a meios digitais ou aquisição de bens, continuam a representar uma fatia relevante, embora com variações diferenciadas entre tipologias.

Na criminalidade violenta, os dados revelam tendências divergentes. O roubo na via pública (exceto por esticão) aumentou 16,7%, para 21 ocorrências. Em sentido contrário, registaram-se descidas no roubo por esticão (-50%), na extorsão sexual (-36,4%) e na resistência e coação sobre funcionário (-43,2%), ainda que com números absolutos relativamente reduzidos. Outras extorsões aumentaram 88,9%.

A distribuição territorial das participações mostra uma concentração nos principais centros urbanos. Elvas lidera com 880 ocorrências, seguida de Portalegre (621) e Ponte de Sor (514). Municípios como Arronches (67), Fronteira (71) e Marvão (71) apresentam os valores mais baixos, refletindo menor densidade populacional e dinâmica urbana reduzida.

Os dados agora divulgados pelo RASI apontam para um abrandamento recente da criminalidade no distrito, após um período de crescimento. A redução simultânea da criminalidade geral e violenta sugere um contexto de maior controlo, mas a persistência de níveis superiores aos registados antes da pandemia mantém em aberto a evolução futura e a eficácia das estratégias de prevenção e policiamento.

Fonte: RASI 2025

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