Contas Regionais do INE: Alentejo volta a ficar para trás num país que cresceu 2,1% em 2024

Os dados provisórios de 2024, divulgados ontem, 17 de dezembro, pelo INE, traçam um retrato simples: Portugal cresceu 2,1% em termos reais e a maioria das regiões andou perto desse ritmo. O Alentejo não. Com 1,1%, volta a surgir no fundo da tabela, apenas acompanhado pela Madeira (1,5%).

No mais recente relatório de Contas Regionais – 2023 final e 2024 provisório -, divulgado ontem, 17 de dezembro, o INE aponta para um crescimento real do PIB de 2,1% em Portugal em 2024, com a maioria das regiões muito próxima deste valor, mas com duas exceções que sobressaem pela negativa: Madeira (1,5%) e Alentejo (1,1%).

A comparação com o resto do país é clara: Norte, Algarve e Açores crescem 2,3%, acima da média nacional, enquanto Centro iguala o país (2,1%) e Oeste e Vale do Tejo, Grande Lisboa e Península de Setúbal ficam ligeiramente acima (2,2%). O Alentejo, por contraste, não acompanha esse “bloco” de crescimento homogéneo.

A diferença nota-se também no crescimento nominal do PIB: Portugal cresce 7,1%, mas o Alentejo fica nos 4,5%, o valor mais baixo entre as regiões. No topo aparecem Algarve (8,3%), Península de Setúbal (7,8%) e Madeira (7,5%).

O documento ajuda ainda a perceber o “porquê” deste abrandamento alentejano, sobretudo quando comparado com as regiões que seguram o ritmo. No Norte, Centro e Oeste e Vale do Tejo, o dinamismo vem muito da indústria e energia e do comércio, transportes, alojamento e restauração, com crescimentos em volume nesses ramos. Em Lisboa, pesam informação e comunicação e finanças, além do turismo e transportes. No Algarve e nos Açores, o comércio e turismo têm impacto relevante, acompanhado por indústria e energia e agricultura.

No Alentejo, o cenário é o inverso e mais raro no mapa nacional: a região é identificada como a única onde três ramos ao mesmo tempo puxam o PIB para baixo, com quedas na indústria e energia (-2,3%), nas atividades imobiliárias (-2,1%) e no comércio, transportes, alojamento e restauração (-0,6%).

2023: investimento a acelerar, mas disparidades a persistir

O ano de 2023, já com dados finais, confirma que o Alentejo não chega a 2024 por acaso: nesse ano, Portugal cresceu 3,1% em volume, mas o Alentejo registou apenas 0,5%, o valor mais baixo entre as regiões. Pelo contrário, Oeste e Vale do Tejo (4,8%), Madeira (4,6%) e Açores (3,5%), assim como Algarve e Norte (3,4%) e Lisboa (3,2%), cresceram acima da média nacional.

Também aqui há diferenças estruturais que pesam. O documento destaca que o crescimento diminuto do Alentejo resulta sobretudo da quebra da indústria e energia (-6,6%), com quedas muito acentuadas em segmentos específicos, e ainda do contributo negativo das atividades imobiliárias (-3,9%).

Ao mesmo tempo, 2023 deixa um sinal que parece apontar noutra direção: o investimento. A Formação Bruta de Capital Fixo cresce 15,5% no Alentejo, acima da média nacional (10,3%) e entre os valores mais altos do país, a par da Península de Setúbal (14,2%). Ainda assim, em contributo para a variação nacional, é Lisboa que mais pesa (3,8 pontos percentuais.), seguida do Norte (2,8 p.p.), com o Alentejo a surgir num patamar mais moderado (0,8 p.p.).

Nos rendimentos das famílias, o Alentejo também aparece bem colocado em 2023: está entre as regiões com maior aumento do Rendimento Disponível Bruto, com 11,1%, apenas atrás da Madeira (11,6%) e acima do Algarve (10,2%), enquanto Norte (8,5%) e Centro (8,6%) ficam na parte de baixo da tabela.

Mas nem esta melhoria apaga uma marca antiga e muito territorial. Em 2023, o Alentejo é apontado como a NUTS II com maior disparidade interna (43,7 p.p.), devido ao fosso entre Alentejo Litoral (121,9) e Alto Alentejo (78,2).

Em resumo, o país avança em 2024 com um padrão regional relativamente alinhado com a média, mas o Alentejo fica de fora desse “pelotão”, tanto no crescimento real como no nominal. E, olhando para 2023, a região surge como um território onde o investimento e os rendimentos dão sinais positivos, mas onde a dependência de ramos mais voláteis e as diferenças internas continuam a pesar na fotografia geral.

Dados: INE

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