A CP recebeu esta quinta-feira a primeira de 22 novas automotoras regionais fabricadas pela Stadler, parte de uma encomenda feita em 2020 por 158 milhões de euros. Segundo a Lusa, o Ministério das Infraestruturas sublinha que “há 23 anos que não chegava a Portugal um novo comboio”, um passo que considera decisivo para modernizar a frota e aumentar a oferta.
Ainda de acordo com a informação divulgada à agência, a unidade agora entregue deverá entrar ao serviço no segundo semestre de 2026 e integra um lote pensado “essencialmente” para o serviço Regional nas linhas do Oeste e do Alentejo, incluindo 12 unidades bimodo (com tração elétrica e a diesel) e 10 elétricas, com manutenção e formação associadas.
Isto no mesmo dia em que o Público noticia que a CP suspendeu a venda de bilhetes de grupo na Linha do Oeste e no Intercidades Lisboa-Évora, medida que a empresa justifica com a deterioração da oferta e a impossibilidade de “garantir a melhor experiência possível para todos os clientes”.
Fonte oficial citada pelo jornal afirma que os Intercidades do Alentejo “registam, atualmente, uma elevada procura”, o que colocaria em causa a qualidade do serviço se se mantivesse a venda para grupos. O cenário descrito para o Alentejo inclui composições com três carruagens, forte afluência impulsionada pelo Passe Ferroviário Verde e dificuldades frequentes para garantir reserva de lugar nas 24 horas anteriores à viagem.
O impacto para o Alentejo mede-se em duas linhas temporais. No curto prazo, prevalecem as restrições operacionais que limitam a mobilidade e penalizam grupos, incluindo escolas e associações regionais que costumam deslocar-se para a capital. No médio prazo, a entrada das novas automotoras em 2026 poderá aliviar pressão e reforçar a oferta regional, desde que a CP consiga estabilizar a manutenção e escalar o material circulante em serviço.
Entre a promessa de modernização e a realidade das supressões, o Alentejo fica à espera que a nova frota chegue à linha e se traduza em mais lugares, mais fiabilidade e horários compatíveis com as necessidades da região.
Fontes: Agência Lusa, Público