DGAL divulga resultados das CCDR. Alentejo com participação de 73% e 238 votos em branco ou nulos

Participação ficou nos 72,7% e novo presidente promete proximidade, eficácia e defesa da região

A Direção-Geral das Autarquias Locais tornou públicos os resultados provisórios das eleições indiretas para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, realizadas esta segunda-feira em todo o continente. No Alentejo, o processo confirmou a eleição de Ricardo Pinheiro para a presidência da CCDR, numa votação sem concorrência, alinhada com o acordo político previamente estabelecido entre PS e PSD.

De acordo com os dados oficiais, votaram 934 dos 1.284 autarcas eleitores inscritos no colégio eleitoral do Alentejo, correspondendo a uma participação de 72,7%. O candidato único reuniu 696 votos favoráveis, tendo-se ainda registado 210 votos em branco e 28 votos nulos, números que traduzem a validação formal de uma sucessão já anunciada antes da ida às urnas.

Antigo presidente da Câmara Municipal de Campo Maior e ex-deputado socialista, Ricardo Pinheiro sucede a António Ceia da Silva na liderança da CCDR do Alentejo. O colégio eleitoral integra presidentes de câmara, vereadores, deputados municipais e presidentes de junta de freguesia, embora o processo tenha sido antecedido por anúncios públicos de não participação de algumas forças políticas, o que marcou politicamente o ato eleitoral na região.

Nas primeiras reações após a confirmação dos resultados, o presidente eleito assumiu como prioridade a coesão territorial e a afirmação regional. “Tenho a certeza absoluta que, se somarmos cada um dos ‘Alentejos’, vamos ter um Alentejo muito maior do que cada um de nós”, afirmou Ricardo Pinheiro em declarações à agência Lusa, sublinhando a diversidade interna do território alentejano.

O novo responsável da CCDR agradeceu ainda o trabalho desenvolvido pelos seus antecessores e defendeu uma mudança de ritmo na atuação do organismo. Manifestou a intenção de “introduzir um espírito de proximidade, de velocidade, de eficácia e de eficiência”, defendendo uma governação mais próxima dos territórios e ajustada às necessidades específicas das várias sub-regiões do Alentejo.

Também no plano da vice-presidência, a escolha decorreu sem surpresa. Aníbal Costa foi eleito pelos presidentes das câmaras da região, com 36 votos a favor entre os 47 possíveis, registando-se ainda abstenções e votos em branco. À semelhança da presidência, tratou-se de uma eleição indireta inserida no mesmo quadro político-partidário.

Apesar da formalidade do sufrágio, o processo não ficou isento de contestação. No Alentejo, o PCP anunciou a não participação dos seus eleitos, considerando que o modelo representa “um passo mais na governamentalização das políticas regionais” e um adiamento da regionalização. O Chega assumiu igualmente um voto de protesto, classificando o ato como “eleições pré-combinadas”, numa crítica direta ao acordo entre PS e PSD que, no conjunto do país, garantiu a eleição dos presidentes das cinco CCDR.

Fontes: DGAL, Lusa | Foto: portugal.gov.pt

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