PCP de Évora convoca cordão humano contra deterioração do SNS na região

Os comunistas de Évora utilizam o atraso nas obras e a falta de médicos como combustível para uma mobilização que acusa o Governo de favorecer o negócio privado.

“A saúde não é um negócio”. O slogan, um dos principais motes do PCP, serve de base à convocatória para um cordão humano na Avenida Leonor Fernandes, em Évora, no próximo dia 21 de abril. Com esta iniciativa, o partido pretende mobilizar a população contra a “deterioração dos cuidados prestados”, alegando que a atual falta de resposta pública empurra os utentes para o setor privado.

No centro das críticas está o Novo Hospital Público de Évora, uma obra prometida há décadas que permanece por concluir devido a “inacção e por falta de interesse dos governos”. Defende-se que o executivo deveria ter assegurado antecipadamente a contratação dos profissionais de saúde essenciais para garantir o pleno funcionamento da futura unidade.

A saída de especialistas sem a devida substituição levou à perda de capacidades em áreas como Dermatologia ou Pedopsiquiatria em várias unidades do distrito. Esta realidade reflete-se em “tempos de espera de consultas de largos meses ou anos”, um indicador que sustenta a tese de um desinvestimento sistemático no serviço público.

Ao nível dos cuidados primários, o alerta incide sobre o impasse nas novas extensões de saúde de São Sebastião da Giesteira, Graça do Divor e Nossa Senhora de Machede. Estes projetos “poderão perder o financiamento” comunitário, caso as obras não avancem antes do final do prazo estabelecido pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

A gestão dos recursos locais é também posta em causa com a denúncia de que, em Arraiolos, “subsistem cadeiras de dentista sem médicos dentistas”. Esta “insuficiência de resposta” estende-se a especialidades como a Psicologia, onde a escassez de profissionais agrava as listas de espera nos centros de saúde da região.

A carência de médicos de família atinge níveis críticos em concelhos como Mora ou Mourão, onde existem unidades que permanecem sem médicos a tempo inteiro. O diagnóstico traçado aponta para um cenário de rutura assistencial que compromete o acesso básico à saúde para milhares de utentes no Alentejo.

O protesto de 21 de abril visa, segundo os promotores, “obrigar o governo a mudar a sua política” e valorizar as carreiras no SNS. Para a organização, apenas a luta das populações poderá garantir a fixação de profissionais e travar a transformação de um direito constitucional num negócio.

Fonte: Facebook PCP Évora

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